O leitor certamente ficará surpreso, já que nada conecta essas duas obras curtas, publicadas postumamente. *A Divina Mistificação*, um breve romance psicológico, narra, ano a ano, as aventuras de uma família do sul da França, ao longo de mais de um século, desde o primeiro casal, Gérard e Marie-Claude, até seus bisnetos nos dias atuais. É impossível resumir aqui a trama, rica em reviravoltas e onde se cruzam as próprias obsessões de Paul Vecchiali, ou melhor, os temas que lhe eram caros: laços de sangue, cinema, homossexualidade e atualidades. Tudo isso se passa no litoral mediterrâneo, região onde nasceu e filmou seus últimos trabalhos, encerrando uma vida rica e plena. Com um toque policial (digamos, em sua essência), a história encantará os fãs de longa data de Vecchiali, que encontrarão aqui um universo familiar e singular, como se, consciente ou inconscientemente, o autor tivesse buscado uma espécie de síntese… Será que podemos falar em síntese? Vecchiali abordou tantos temas, descreveu tantos círculos sociais, filmou tantas paisagens… Apesar do título “musical”, Prelúdios e Fugas fala menos de Johann Sebastian Bach do que de lampejos, breves quadros, memórias fugazes: o que Vecchiali chama de instantâneos. Bastante enigmáticas, as vinte e cinco peças em prosa que compõem a coletânea assemelham-se a erupções visuais, imagens da infância, uma série de tentativas de aderir o mais fielmente possível à memória. Trata-se, portanto, de uma autobiografia inteiramente fragmentária ou, se preferir, de fragmentos autobiográficos compostos num estilo objetivo, senão objetivista, para se manter o mais próximo possível da verdade. Estes Prelúdios e Fugas, talvez desconcertantes, são certamente intrigantes… Étienne Ruhaud Data de publicação: 1 de maio de 2023 Encomendar







