Dois amigos íntimos, exilados checos na França por quase meio século, fazem um último passeio juntos no Jardim de Luxemburgo. Um deles, um escritor de renome mundial chamado Milan, permanece em Paris, enquanto o outro, um ex-jornalista e narrador da história, precisa retornar a Praga. Forçado pelas circunstâncias, ele sente falta de seu país adotivo e teme o retorno à sua terra natal, que, tendo sofrido profundas transformações após 1989, já não lhe pertence verdadeiramente. Um último personagem, Gustáv Husák, o líder comunista checoslovaco que levou os dois primeiros ao exílio, completa o trio através dos sonhos, até mesmo pesadelos, do narrador. Surgem perguntas: por que Gustáv Husák, esse "presidente do esquecimento", segundo Milan, refugiou-se no silêncio durante a queda do regime comunista em Praga? Como evitar sucumbir às aparências, aos clichês e aos argumentos de autoridade que são característicos de cada época? Além disso, é sempre necessário recorrer às palavras para responder a essas questões? Pois, para além das verdades partidárias que nos manipulam, talvez o silêncio de um velho que deixou o campo de batalha sozinho transmita a verdade autêntica.







