“Estamos na terra das serpentes.” Durante o primeiro confinamento, em Lisboa, uma jovem tradutora mantém um diário. O romance que está a traduzir também se passa em Lisboa. Agathe sente que pode sair à rua. Escapar. Nas margens do Tejo, recorda o Brasil. O Brasil, que lhe trouxe a tradução; a tradução, que lhe abriu as portas de Portugal; Portugal, que a apresentou à humanidade; a humanidade, que a fez lembrar-se do Brasil. Manuela Gonzaga escreve nos seus Jardins Secretos de Lisboa: “Estamos na terra das serpentes.” Estará ela a morder o próprio rabo? É um ciclo vicioso. Finalmente, segura a sua mão. O seu diário, que Agathe só encadernará no final da sua jornada, irá guiá-la através do seu próprio mundo interior, até à luz resplandecente de um novo dia. Na Terra das Serpentes evoca o confinamento e o exílio, a liberdade e a plenitude, num jogo de espelhos que é sempre desestabilizador para a jovem heroína que procura não perder o fio condutor, nem da história, nem da sua própria história.







