Christian Gallopin
Mas quem é Germain Pouillon? Uma criança abandonada nas profundezas de uma fazenda Thénard? Um jovem preso nos absurdos da Guerra da Argélia? Um ser perpetuamente condenado à fuga? Um homem não violento enfrentando o temperamento assassino do mundo? As molas do relógio vêm pacientemente se enrolando desde muito antes de seu nascimento. E, uma vez que as engrenagens estejam engatadas, seja em Atenas sob Péricles ou em Saint-Germain-des-Prés sob De Gaulle, nada pode desviar o destino. Então, quem é Germain Pouillon? Um homem como qualquer outro ou uma máscara que escapou de uma tragédia grega? “Rios e lagoas escondem segredos terríveis sob suas águas. Pedaços de crianças mortas. Amores desperdiçados. Cabelos ondulados, cortados pela força dos vencedores. Corpos negros pisoteados, carregados pelas ondas ou pelo hálito ardente da poeira das minas. Serpentes venenosas e suas línguas bifurcadas.” Deus aqui, o Diabo ali. Um cavalo de arado e ferraduras. Os olhos de uma jovem gazela capturados no ouro de uma lanterna. Dois sorrisos cúmplices. Algumas risadas. Um livro de aventuras com capa vermelha. A espuma de uma cerveja Paulaner saboreada num terraço. Bocas famintas reunidas numa cesta. Um caule de acácia batendo na borda de um prato. Três baratas irritadas rolando na argila vermelha. Um pintassilgo sem cabeça. Sete bolinhas de gude numa caixinha…






