Uma escritora é, sem dúvida, alguém que teme as palavras, alerta-nos Jaana Seppänen. E lá vai ela, mergulha de cabeça, sem se importar com nada, mergulha e enfia a língua em tudo! Bem no âmago do pretérito imperfeito do subjuntivo, porque a língua que esta finlandesa usa para escrever é o francês. E ela escreve em tudo! Nos seios, nádegas, boca, mãos, unhas, nariz, cabelo, estômago, genitais, joelhos, panturrilhas, pés, dedos dos pés de Malou, sua amiga escolhida. Em tudo! Porque tudo importa. E Jaana, possuidora, pretende possuir tudo! As histórias que a animam, a ela e à sua amiga, têm algo em comum com a pintura abstrata: pode-se dizer que fazem parte de uma série de deslocamentos linguísticos, apresentando as suas mutações como autoevidentes. E isto desenrola-se numa narrativa possuída por esta língua, que flutua com sensualidade. É delicioso. E livre!







