Jehan van Langhenhove
Nora, um enigma de literatura e morte.(Publicado pela Douro), o mais recente trabalho do nosso amigo Jehan Van Langhenhoven (já mencionado nesta seção) acaba de ser lançado.
Para se apresentar aos leitores, Jehan é notavelmente discreto: "Infância nos subúrbios operários e conservadores. Marcas indeléveis. Tem um cachorro. Lealdade inabalável que transcende a morte e os anos." Vale acrescentar que ele apresenta um programa na Rádio Libertaire que já contou com a presença de diversas figuras proeminentes ao longo dos anos!
Desta vez, munido mais uma vez de sua pena espirituosa e sagaz, ele nos conduz ao mistério da bela e voluptuosa Nora, "uma mulher de todos os tipos de prazer". O mistério de sua curta vida é narrado pelo narrador deste pequeno livro: Nicki Bellmoor. Um anti-herói "em busca do Prêmio Nobel de Literatura Erótica e Erros de Ortografia!" Repórter do Paris News, especializado em histórias de crimes sangrentos, ele tentará reunir para nós todos os fragmentos do quebra-cabeça que envolve o assassinato da bela e enigmática Nora.
No entanto, Niki se vê entre os supostos culpados pelo assassinato da bela mulher, juntamente com uma dúzia de outros indivíduos, incluindo um jovem imberbe; um suposto homem de um braço só; um estivador "formidável"; e Sandro Becker, "o último pintor sobrevivente do Grande Pintor Barnum". Todos serão interrogados, um a um, por inspetores tão incomuns e atípicos quanto os próprios acusados.
Entre digressões — sobre as quais a autora, aliás, filosofa: "Mas o que é a vida senão uma longa série de digressões?" — Niki tenta dar sentido a essa confusão, confidenciando suas dúvidas a um elenco diversificado de personagens. Estamos apenas no início da história quando a autora nos avisa que "os próximos capítulos estarão repletos de apartes, desvios, confrontos diretos e situações explosivas!"
Após o enterro da pobre Nora no cemitério Père Lachaise, as aventuras de Niki nunca descambam para o tédio ou a letargia. Elas continuam em outras partes do mundo (o Bronx), sem que sua obsessão desapareça: "manter vivo para sempre o fantasma de sua heroína".
Esta pequena coleção, "repleta de nervos à flor da pele", nos dá a oportunidade de encontrar, ainda que brevemente, alguns convidados ilustres, como Herman Melville; Dylan Thomas; Charles Baudelaire, "aquele especialista em teatro fúnebre, fantasmagoria e vários simulacros"; Francis Bacon; Ibsen; e até mesmo o lutador Maurice Tillet, conhecido como "o monstro". Aproveite a viagem!
Patrick Schindler, jogador individual da FA Paris
https://www.monde-libertaire.fr/?articlen=8248&article=Objectif_Mars_pour_le_rat_noir









