O Significado da História
Em 30 de dezembro de 2006, véspera do Ano Novo, o ditador iraquiano Saddam Hussein foi enforcado. Por que a notícia de sua execução mergulhou Isabelle em uma tristeza tão repentina? Aos 37 anos, ela deveria estar realizada: um emprego interessante, uma vida segura, um marido ambicioso, dois filhos bonitos, uma casinha adorável em um bairro residencial recém-construído e organizado nos arredores de Orléans. E daí? Que ligação a morte de Saddam tinha com a vida dela? Fevereiro de 1991. A Universidade Paris 8 se mobilizou contra a primeira Guerra do Golfo. Isabelle descobriu essa universidade nada convencional, seus professores com seus métodos de ensino também nada convencionais, seus alunos ativistas, seus corredores labirínticos e enfumaçados. Dezembro de 2006. A morte de Saddam Hussein ecoa para Isabelle a morte de suas ilusões, a ilusão de um mundo novo, um mundo diferente, um mundo melhor que daria sentido à história das mulheres e dos homens. 1991, esperança; 2006, morte: será este, em última análise, o significado da história? O significado da sua própria história, a história de Isabelle?
Antípodas
De que o narrador está fugindo ao aceitar um cargo na Nova Caledônia, a 22.000 quilômetros da França continental? No outro extremo do mundo, ele descobre esse território francês, considerado pela ONU uma das últimas colônias do planeta. Um território onde dois mundos coexistem, completamente distintos entre si: o interior e a capital, Nouméa. Nouméa. Um estranho microcosmo ainda preso aos anos 1980. Ali, a vida é boa. Muito boa, aliás. As pessoas se divertem, jogam e aproveitam o sol e o mar o ano todo. Para quem vive ali, a ideia de independência não faz sentido. Pelo menos, não na mente de quem importa: na mente dos brancos. Eles são gentis, despreocupados e deliberadamente cegos à pobreza e à miséria que encontram em Nouméa. Uma pequena cidade perdida no Pacífico. No entanto, ela lembra estranhamente ao narrador outra cidade, distante: Mônaco. Nos anos 80, quando era adolescente, um tio rico o convidou para passar férias. Todo verão, os amigos do tio também iam. As pessoas estavam revoltadas e indignadas com a recente vitória de François Mitterrand e a ascensão da esquerda ao poder. Homens, exclusivamente. Ou quase. Homens amargos, doentios, desdenhosos. Homens cruéis, frequentemente. Homens perigosos, às vezes. Todo ano, o narrador ia passar férias em Mônaco. Mas por quê? Nouméa lhe dirá.









